Nova plataforma identifica desmatamentos no Cerrado

A Cerrado DPAT é online, gratuita e ficará à disposição de gestores públicos e sociedade em geral para consulta.

A desinformação se torna a cada dia mais uma ameaça para a ciência e a vida em comunidade. Para enfrentar essa realidade, o Cerrado brasileiro contará com um novo e importante parceiro para a preservação: a plataforma Cerrado DPAT (Deforestation Polygon Assessment Tool), que será lançada nesta quarta-feira, dia 14, às 10 horas.

A ferramenta criada pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig/UFG) apresenta de forma fácil, rápida e intuitiva os dados de desmatamentos para todo o bioma Cerrado, desde o ano 2000.

A plataforma, online e gratuita, permitirá a visualização dos dados sobre desmatamento e a superfície de susceptibilidade ao desmatamento nos 1.386 municípios brasileiros abarcados pelo bioma. Toda esta informação será fundamental para a gestão ambiental nos níveis federal, estadual e municipal. 

O projeto é resultado do Programa de Investimento Florestal (FIP) implementado em 2016 no Brasil no âmbito do Plano de Investimento Brasileiro, gerido pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird/Banco Mundial) e financiado pelo Fundo Estratégico do Clima. Gerenciado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o projeto FIP Cerrado tem como uma de suas frentes a produção de dados de desmatamento no Cerrado.

O objetivo central da plataforma Cerrado DPAT se refere à oferta de uma base de dados com informações confiáveis para os gestores públicos. “Baseado nas informações disponibilizadas por meio desta plataforma será possível saber as regiões do bioma em condição de maior vulnerabilidade socioambiental”, exemplificou o coordenador da ferramenta e pró-reitor de Pós-Graduação da UFG, Laerte Guimarães.

Além disto, a plataforma irá trazer informações essenciais quanto ao apontamento de regiões mais suscetíveis a futuros desmatamentos, alertando autoridades públicas.

Laerte Guimarães explica que além dos dados sobre os quase 2 milhões de polígonos de desmatamentos, disponibilizados por meio da plataforma, será possível saber detalhes sobre esse processo de degradação.

“A Cerrado DAPT consegue determinar, por exemplo, qual a distância de um determinado ponto de desmatamento de uma unidade de conservação, território quilombola ou reserva indígena, bem como saber se este desmatamento aconteceu em área de proteção permanente ou reserva legal, em cada uma das 843.020 propriedades rurais existentes no bioma Cerrado”, ressaltou.

Além dos dados relacionados ao desmatamento, a Cerrado DAPT oferece acesso rápido a uma grande base de dados, como localização de frigoríficos e silos, malha viária atualizada, mapa de propriedades e imagens de satélite.

Por fim, o professor destacou que a UFG tem colaborado durante todos esses anos pela excelência em pesquisa e formação de recursos humanos. “A iniciativa FIP Cerrado envolveu vários bolsistas de graduação e pós-graduação fundamentais para o sucesso do projeto”, destacou.

Como funciona?

Na prática, a Cerrado DPAT realiza uma  avaliação qualitativa dos dados Prodes (projeto do Inpe que realiza o monitoramento por satélites do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal) e Deter (segundo o Inpe é um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal), programas desenvolvidos no âmbito do Programa de Investimento Florestal Cerrado (FIP Cerrado), encabeçado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O professor explica que para cada polígono de desmatamento identificado, a equipe do Lapig realizou uma série de procedimentos, a partir de observações em campo e análises estatísticas, para determinar a qualidade do dado de desmatamento disponibilizado pela plataforma.

“Assim, os usuários podem decidir visualizar ou recuperar todos os dados de desmatamento para um determinado município e para um determinado ano, ou acessar apenas os dados com um determinado nível de qualidade”, ressaltou.

Lapig UFG

Criado em 1994, o Lapig UFG se constitui como um laboratório que além de prestar enorme contribuição para as disciplinas e pesquisas realizadas na UFG na área de processamento de imagens e geoprocessamento, desenvolve inúmeras parcerias com centros de pesquisa brasileiros e internacionais para o monitoramento territorial e ambiental com excelência.  O foco especial para o bioma Cerrado se acentuou no ano de 2005 a partir do desenvolvimento do Sistema Integrado de Alertas de Desmatamentos (Siad Cerrado).

Já entre 2015 e 2016 o Lapig participou ativamente, ao lado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para a elaboração do mapa oficial da cobertura e uso da terra no bioma Cerrado (projeto conhecido como TerraClass Cerrado), desenvolvido sob a coordenação geral do Ministério do Meio Ambiente, com recursos do Banco Mundial no âmbito da iniciativa GEF Cerrado.

E a partir de 2017, com o início do projeto FIP Cerrado, sob a coordenação geral do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Lapig passou a ser responsável pela validação dos dados de desmatamentos identificados no bioma.

Saiba mais ações e pesquisas desenvolvidas no Lapig UFG:

Tecnologia para reencontrar o mundo
UFG cria plataforma web para monitorar Covid-19 em Goiás
Mapeamento de pastagens realizado pelo Lapig/UFG é tema de vídeo do MapBiomas
Plataforma Covid apresenta dados sobre qualidade do ar
Entender o clima para gerar desenvolvimento sustentável
Imagens de satélite ficam cada vez mais acessíveis

Serviço:
Assunto: Lançamento Cerrado DPAT
Local: Evento online (inscrições aqui: https://mundogeo.com/dpat/)
Data: 14 de outubro
Horário: 10 horas

Comunicação UFG

Utilizamos cookies essenciais e tecnologicos semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.